terça-feira, 17 de dezembro de 2013



LUA CHEIA


Parece que estás dependurada.
Dependurada no firmamento.
Nos trazendo tanto sentimento.
Fico a pensar.
A quantos estás a inspirar.
Quantos se põem a versejar.
A te olhar.
Te contemplar.
Digo que lua cheia é lua de namorar.
Imagino meu bem amado.
Bem do meu lado.
A me abraçar, beijar.
Lua. Vou te segredar.
Ele está tão distante.
Não ausente.
Porque quando amamos não existe ausência.
Sabemos esperar.
Lua. O céu está tão límpido.
Nem uma nuvem sequer.
Lua. Também és mulher.
Deves compreender.
Tua aparição vem nosso coração acender.
Fico presa ao fascínio de teu brilho.
E corro.
Corro no pensamento.
Meu amado vou encontrar.
Nos teus lábios tão queridos vou um beijo depositar.

sonia delsin 



QUALQUER HORA


Já me chamaram de pura.
Houve até quem dissesse.
Mulher que muito ama.
Boa samaritana.
Já me denominaram tantos codinomes que nem sei se mereço.
Eu me enalteço.
Me desmereço.
Me viro do avesso.
Tudo tem um preço.
Nesta vida existem ruas, avenidas, becos...
Existe de tudo um pouco.
O mundo é meio louco?
Ou loucos somos nós imaginando que vivemos sós?
Qualquer hora a gente se descobre.
Raiz enterrada na terra.
Cabeça nos altos dos céus.
Qualquer hora somos vítimas, réus.
Sobre o palco somos artistas.
Na terra turistas.
E a qualquer hora nos transformamos.
Aliás, retornamos.
Àquilo que realmente somos.
Então de tudo lembramos.
Se amamos.
Se não amamos.
E recomeçamos.
Qualquer hora é hora de ir...
Mas não somos nós a decidir.


sonia delsin 



BRINCAMOS?

 nós nos amamos?
brincamos?
a vida pode ser divertida
mas...
mas até quando?

sonia delsin 



MORDO A FRONHA


Mordo a fronha porque nos meus sonhos você chega.
Tão lindo, sorrindo...
Chega entregando flores.
Chega e me tira todas as dores.
Mordo a fronha.
De agonia quase choro.
A atitude me envergonha.
É preciso saber esperar.
Mas tem horas que a espera chega a nos angustiar.


sonia delsin 



O MAIS PURO AMOR



Eu te entreguei flores colhidas nas manhãs...
Te entreguei assim com o mais puro amor.
Não pensei que haveria no meu caminho tamanha dor.
Eu te entreguei meus dias.
Meus risos, minhas alegrias.
E lágrimas correram.
Chorei por ti um tempo inteiro.
Era o tempo de cachoeira, de desaguar.
Meu coração parecia que ia arrebentar.
Que tempo duro aquele, era o um tempo de matar!
Aos poucos tudo tinha que se acabar.
Só que ainda não deixo de recordar...
Ficou lá no fundo de meu peito uma feridinha e ela de vez em quando se põe a sangrar.

sonia delsin 



JEITO DOCE



Alguém me disse.
Gosto de teu jeito doce.
Quanta ilusão! Quanta esperança isto me trouxe!
O falar...
O olhar...
Parecia que ele vivia a me adorar...
Nunca imaginei que tantas mentiras ele sabia contar.
Faz parte do passado.
Mas tem horas que precisamos desabafar.
E quem vive a poetar em versos tudo consegue transformar.

sonia delsin 



CORTINAS AO VENTO


Elas balançam e eu...
Eu fico a olhar.
Sentada na grande sala dourada a admirar.
Gosto deste lugar.
Um dia aqui entrei.
Olhei.
Com tudo me identifiquei.
Com as paredes cobertas de quadros antigos.
Com os móveis.
Com os grandes vitrais.
As portas altas.
Este casarão o passado vive a guardar.
E há algo bom aqui.
Por isso estou sempre a voltar.
É um belo casarão.
Muito chamativo.
A mais bonita construção do quarteirão.


sonia delsin