segunda-feira, 30 de setembro de 2013



AS FOLHAS E O VENTO

Elas estavam paradas
Quietinhas
Sobre a calçada
E veio o vento
E veio o sofrimento
Foi um tal de folha para cá
De folha para lá
Elas bailaram
Rodopiaram
Na sarjeta pararam
E veio a chuva
A enxurrada
As folhas foram levadas
Pobres folhas judiadas

sonia delsin 


TUDO ILUSÃO?

Bolha de sabão se espatifando no chão?
A vida é isso?
Uma grande ilusão?
Sei não, sei não
O “teatrinho” tem sua razão de ser
Viemos aqui aprender
Desenvolver
E crescer


sonia delsin 


DESCOBERTA

Não reparei tua vestimenta.
Mas notei teu olhar.
Ele me banhou como se lua fosse.
... Ele me trouxe...
Trouxe alguma coisa nova.
Fresca.
Como uma manhã que nasce sem razão pra nascer.
Mas nasce.
Reparei tuas mãos.
Grandes.
Depois as descobri quentes, aconchegantes...

Descobri, descobri.
Precisava de ti.

 sonia delsin 


QUALQUER HORA

qualquer hora
eu vou embora
qualquer hora vou ser convidada
a deixar o planeta
se vou fazer careta?
vou sorrir?
vou chorar?
ou quietamente vou partir?
...
sei que a qualquer hora o meu tempo aqui vai se acabar


sonia delsin 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013



CADÊ VOCÊ?

Cadê você que enfeitava minhas manhãs?
E as tardes...
E as noites...
Onde foi parar aquele tempo de magia?
Acabou a alegria
Você me dizia:
Seu nome é poesia
Você me contagia
...
Cadê você?
Cadê aquele mundo encantado?
Onde foi parar o pássaro dourado?

Tudo ficou guardado no passado

sonia delsin


DOR

O que é a dor?
O que é?
A dor sabe se instalar

Não podemos espaço lhe dar

sonia delsin 


VELOZ

Ele adora velocidade
Sai com a motocicleta pelos campos...
Pela cidade

sonia delsin 


CAVALO DE AÇO

Dispara
É um tiro no espaço
Cavalo de aço

sonia delsin 




CAIXA DE PANDORA

Ela adora
Adora
É somente um sonho

Caixa de Pandora

sonia delsin 

sexta-feira, 13 de setembro de 2013



TONINHA

Rosinhas
Vermelhinhas
Ganharam este nominho: Toninha
Linda roseirinha

sonia delsin 


POENTE

deita no horizonte
um sol vermelho

deito os olhos na paisagem melancolicamente

sonia delsin 


VIOLETAS

tão mimosas
na janela
são ternuras no final da tarde
desmaia o dia



sonia delsin 


A VIDA É...

A vida é um sopro
Um sopro apenas
A vida é esta tarde quente
É o antigamente
É o que não é
E é
A vida é a nossa fé
É o que pensamos que é
É
A vida é continuidade
É eternidade
A vida é a chama que não se apaga
Vela que não se acaba
A esperança... mesmo quando nosso mundo desaba
A vida é o sim
É o jardim
É bem assim
A vida é o presente
Uma dádiva que recebemos

É tudo que temos

sonia delsin 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013



CASINHA DA MINHA SAUDADE

Deus, hoje bateu uma saudade.
Duma casinha tão simples.
Era um pedacinho de céu.
Hoje bateu uma saudade.
Dum tempo bom de verdade.
Por que descobrimos as coisas tão tarde?
Hoje bateu uma saudade do gramado.
Dizias: sou teu eterno enamorado.
Bateu uma saudade da árvore na frente da janela.
Vinha o vento e fazia festa nos galhos.
Os ramos balançavam.
E nossos corações.
Eram festas sim.
Eram canções.
Hoje bateu uma saudade da casinha branca de janelas azuis.
Duns meninos traquinas.
Duns pães que enquanto assavam deixavam a vizinhança com água na boca.
E as bolachinhas então! Parece que cheiravam em todo quarteirão.
Estou com saudade da trepadeira cor-de-rosa, das florinhas brancas que enfeitavam toda a frente da casa.
Estou com saudades de um tempo que ninguém tira de mim.
E nada devolve.
Uma casinha onde eras meu rei, eras majestade.
E eu a rainha dos teus dias, rainhas de tuas noites...
Casinha branca. Tudo acabou.

Tudo acabou, mas na minha lembrança tanta coisa ficou.

sonia delsin  


DECEPÇÃO


abri uma porta
para ti
abri 
que tristeza!
que desalento!
descobri
ah, descobri!
que nunca me amaste



 sonia delsin 


CONDOR

Vem, meu condor.
Deixe que eu pegue uma carona em suas asas.
Voe baixo.
Com voos rasantes vamos admirar o trabalho dos homens.
O suor e as lágrimas deles é que me fazem lembrar que são humanos.
Voe e sobrevoe as cidades.
Vamos juntos admirar as belezas.
Vamos assistir a este tempo de olhos abertos.
Depois, meu condor, voe mais alto.
Fujamos juntos do que pertence ao agora.
Vamos embora...
Vou me agarrar fortemente às suas asas...
Fechar os olhos... sentir o efeito do tempo.
Lá do alto não precisamos assistir nada... só sentir.
Condor... ouça... é o meu coração.
Ele acelera. Ele bate pelo mundo, por mim, por nós.
Sinta o tremor de meu corpo.
Estou assustada.
Amedronta-me a altura. Amedronta-me a constatação.
Por que me assusta a amplitude, se sou viajante dos espaços?
Pertenço à eternidade...
Então condor... por quê?
Seu voo é tranquilo, eu sei...
Você é sereno...
Você conhece o coração dos homens...

sonia delsin 


MEU GRANDE AMOR

Encontrei hoje guardada, bem no meio
de meu livro de cabeceira
uma pétala de rosa
com seu nome
escrito.
Quantos anos ela está lá...
Lembrei da rosa amarela que
você me entregou
tão timidamente
naquela noite...
Estávamos no começo do namoro e
toda vez que
nos encontrávamos
você me oferecia
uma flor.
Que lindo é o amor!
Eu beijava aquelas flores
e não queria que morressem,
queria eternizá-las...
como quis eternizar
o nosso amor.
Vendo aquela pétala delicada
e envelhecida
recordei
o buquê mais lindo de rosas
vermelhas que
recebi na vida.
Só podiam ter vindo
de você...
Eu o colocava na sacada
toda noite
para que as rosas
não murchassem.
Não queria que se
fossem...
Elas ainda estão
tão belas,
cobertas de sereno
e com pétalas tão frescas
dentro de meu coração.
Os cartões, eu os visito
regularmente na minha caixa
de lembranças...
Algumas pétalas também dormem lá.
E os buquês, eu os guardo n’alma, são
pedaços de você.

sonia delsin 


A ALGUÉM QUE CRESCEU NUM ORFANATO

(para minha querida amiga Jô)

O que eu quero da vida é um varal repleto de roupas.
Balançando-se ao vento.
Quero uma mesa posta com pessoas queridas
ao redor.

É isso que eu quero.
O calor de uma família, a segurança de um lar.
Quero o amor, quero filhos, vozes e gritos.

Quero a alegria de ter uma casa simples
pintada de branco, com janelas verdes.
Quero vasos de flores e um cão para latir.
É uma família o que eu quero nesta vida...


“Foi isso o que ela me falou há mais de vinte anos”.
E eu nunca me esqueci...

sonia delsin  


AO MEU AMADO


Meu presente para você
não vai embrulhado.
Não há fitas douradas
enfeitando-o.
Não!
É bem simples
o meu presente.
É um pedaço de mim
que vai neste poema.
Nele eu coloco sentimentos,
lágrimas, risos.
Tome-o, é seu.
Beije-o, esprema-o.
Constate que é uma parte
de mim.
Ele é vibrante, é ardente, é cálido.
É suave, é gentil e é humilde.
Sou eu derramada nesta página.
Sou eu esparramada
em forma
de letras.
Falando, gritando
do meu
amor por você.
Meu eterno namorado!

sonia delsin 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013



AS MÃOS DE DEUS

Uma rosa desabrochou
nesta manhã.
Tão bela,
ao lado de minha janela.
Olho-a inquieta
e me pergunto
qual a razão
daquela flor mexer tanto
com o meu coração.

Na meninice eu as via
tão por perto.
Nem reparava tanto
sua beleza
e seu encanto.

Mais crescida me vi privada
da companhia delas.
Me vi mais podada que
todas elas.
Os espinhos me doíam...

Afastada, amargurada
eu aspirava
o perfume das rosas,
e também das outras flores e
aquilo
mexia comigo.

Não podia mais chegar até o jardim.
e elas vinham... cortadas...
para que eu pudesse tocá-las.
Mas eu não as queria dessa forma.
Sentia-as morrendo...
como eu que morria aos poucos
nos meus verdes anos.

Precisei de coragem, de fé e de
muito mais
que isso.
Precisei agarrar-me a mãos
que me estendiam.
Eram mãos divinas e me chamavam...

Tropegamente me dependurei nelas.
Como quem se agarra ao primeiro galho
À beira de um abismo.

De novo me vi em pé,
de novo pude
presenciar
da mais bela rosa
o suave desabrochar...
até o jardim eu já podia caminhar!


sonia delsin 


TUDO É PENSAMENTO!

É preciso que meus pés se assentem...
Que minhas asas fiquem coladas ao meu corpo.
Preciso viver neste tempo.
Grudada a um porquê que não aceito.
Que rejeito.
Mas que tem que ser.
Mesmo que me faça sofrer...
Ah! Meu bem querer...
Eu sou peça de uma engrenagem...
Tudo isso é uma montagem...
Sabe, aquele céu é perto daqui.
É bem pertinho.
E chego lá num instantinho.
Basta querer.
Neste tempo estou enquadrada numa moldura.
Estou presa a uma realidade dura.
Mas que não perdura.
É um tempo dentro de um tempo.
Passageiro.
Somos bolhas ao vento...

sonia delsin 


BUSCA

Fecho os olhos.
São feixes de luz
que me penetram.
No silêncio me encontro.
Marquei este encontro comigo.
Nesta hora minha.
Neste tempo meu.
Permaneço calada.
Analiso a minha busca. A minha alma.
Ainda de olhos fechados
fico a ouvir o silêncio.
De repente um sabiá começa a cantar.
Um bem-te-vi vem gritar.
Ouço pássaros que pelo canto nem sei identificar...
Penso que chegaram para minha vida enfeitar.
Vieram me contar do que estive a buscar.
Onde fui encontrar.
Esta busca... vai se acabar?

sonia delsin 


FATAL

TEU OLHAR FATAL
TEU OLHAR MORTAL
NUNCA PENSEI QUE PASSARIA POR ALGO IGUAL


sonia delsin 


TEUS SILÊNCIOS

Teus silêncios falaram mais que todas as palavras
Teus silêncios causaram uma dor tão grande em meu peito
Teus silêncios tiveram grande significado
E deixaram o meu ser todinho machucado


sonia delsin 




 NOSSOS OLHOS

 

Nossos olhos se falaram sem falar

Meu Deus!

Jamais vou me esquecer o dia do nosso encontro

Que pena!

Não estavas pronto

Não estavas pronto para o amar...

Porém, o segredo de seus olhos não conseguistes ocultar


sonia delsin