AS MÃOS DE DEUS
nesta manhã.
Tão bela,
ao lado de minha janela.
Olho-a inquieta
e me pergunto
qual a razão
daquela flor mexer tanto
com o meu coração.
Na meninice eu as via
tão por perto.
Nem reparava tanto
sua beleza
e seu encanto.
Mais crescida me vi privada
da companhia delas.
Me vi mais podada que
todas elas.
Os espinhos me doíam...
Afastada, amargurada
eu aspirava
o perfume das rosas,
e também das outras flores e
aquilo
mexia comigo.
Não podia mais chegar até o jardim.
e elas vinham... cortadas...
para que eu pudesse tocá-las.
Mas eu não as queria dessa forma.
Sentia-as morrendo...
como eu que morria aos poucos
nos meus verdes anos.
Precisei de coragem, de fé e de
muito mais
que isso.
Precisei agarrar-me a mãos
que me estendiam.
Eram mãos divinas e me chamavam...
Tropegamente me dependurei nelas.
Como quem se agarra ao primeiro galho
À beira de um abismo.
De novo me vi em pé,
de novo pude
presenciar
da mais bela rosa
o suave desabrochar...
até o jardim eu já podia caminhar!
sonia delsin
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